Eu Líricos e Pseudônimos

Não, não fiz este blog pra descrever o meu dia afinal, ninguém quer saber, não é mesmo? Fiz para postar meus textos novos, cheios de pseudônimos e meus “eu líricos” portanto, preparem-se para ler coisas de opnião pessoal, coisas que ficam na minha imaginação e na dos personagens que crio, coisas que aconteceram (ou quase), coisas que não aconteceram e eu criei e etc…

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A volta dos que não foram

De certa forma, quando estou sozinha (leia: completamente solteira, sem nada correspondido) não consigo me desapegar do passado, fico voltando nele, pensando no que foi e etc, mas quando estou com alguém não penso em outra pessoa. Por pior que tenha sido, sempre vou lembrar de algo bom que aconteceu na época e vou me culpar por não ter conseguido segurar “tal pessoa” ou por ter passado ela pra frente. Isso é tão forte em mim que atrai as pessoas que eu penso do passado e não acho isso bom. 

Duas pessoas no qual eu penso estão namorando e aparentam estar felizes, mas de certa forma, direta ou indiretamente deram sinais que sentem minha falta, mas não “de mim” exatamente, daquela saudade que poderia passar com um “oi, tudo bem? Saudade… olha, essa é minha namorada…”, é aquele sentimento de “precisamos fazer um remember”. Não gosto disso, fico me sentindo uma vadia, mesmo que eu fique quieta e não provoque nada. O que eu sinto, praticamente guardo pra mim ou como agora, na hora que “explodo”, solto algo por aqui mas nada de ir diretamente no perfil social da pessoa ou mandar sms.

Não vou negar, tenho um pouco de ciúmes de ex (mas bem pouco mesmo) e a parte boa dessa situação é me sentir especial e única. É bom saber que alguém sente a minha falta e que eu fiz alguém feliz por um tempo.

Dito isso, preciso deixar o passado ir embora de vez. Já aprendi o que tinha que aprender com essas pessoas e quero que uma nova venha, ou se necessário, que novas venham. Então, me correspondam aí, pessoas que ainda não me relacionei hahaha. Me ajudem! Só não vale brincar com os meus sentimentos, me fazer de idiota, me usar… disso eu já cansei.


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08.08.2012 às 19:35
Surpresa na cafeteria

“You come for me in the worst of places. You come for me, you come and try to take me home. I’m always in need and it’s hard to be reciprocating…” # Everybody Knows - Ryan Adams

Isso aconteceu há uns meses, naquela cafeteria que fica naquela rua, que é esquina com a Alameda Campinas.

Como de costume, ela passava lá todas as tardes depois do trabalho pra tomar algo. Decidiu variar um pouco naquele dia e pediu um Café Latte. Enquanto esperava ficar pronto, deu uma olhada nas pessoas que estavam no local. Seu olhar parou incrédulo em um rapaz que estava sentado tomando café enquanto mexia no celular, despreocupado. O que ele estava fazendo ali? Ele nem mora em São Paulo! Foi então que ela pegou sua bebida e decidiu:

- Mas que surpresa… - ela ficou com medo da reação dele por uns instantes enquanto ele levantava o rosto para ver quem era.

- Opa, surpreso fiquei eu. O que você tá fazendo aqui? - ele não parecia surpreso, só entediado.

- Eu trabalho aqui perto, tô sempre por aqui, já você… nem mora nessa cidade! Se mudou pra cá?

- Não, tô esperando minha namorada. Ela veio fazer uma matéria aqui perto pro jornal e eu como não resisto a café e a essa cafeteria então, decidi esperar aqui.

- Você e seu vício… 

- O que tem?

- Nada, eu acho legal. Quando a gente tava junto virou meu vício também e até hoje meio que é…

- Ah, sim. 

Um longo silêncio se fez enquanto ela olhava pra ele (e ele encarava o copo dele, sem jeito).

- Já faz quase três anos…

- É, Anna. O tempo passa, tô feliz…

Ela respirou fundo, podia entender a grosseria e ironia no tom da fala dele.

- Que bom, fico feliz… você sabe… que esteja feliz.

- Não vem com esse papo, sofri demais no passado com essa sua mania. Você realmente tá feliz por mim agora?

- Não.

- Ah, obrigado! Muito obrigado! Um momento de sinceridade, depois de anos…

E então ele toma um gole do café e a fumaça embaça seus óculos. Ela sorri de canto, observando.

- Sempre acho sexy quando alguém que eu gosto toma algo quente e embaça os óculos… pena que você não usava na época. Não que eu tenha achado agora, mas lembrei disso

- Também acho, quando a Lídia faz isso, tenho vontade de agarrar ela onde estiver

- Hum…

- Tinha algo que eu fazia e você achava sexy?

- Tem algo que se quase todo homem que eu gosto faz, eu acho sexy. Algo do tipo usar gravata, camisa… e acho mais sexy ainda quando eu posso usar depois que ele usou

- Por isso você gostava tanto quando eu aparecia de camisa. E você nunca teve a chance de usar e realizar aquela minha fantasia de te ver com a camisa branca e a xícara de café…

- Isso. E você detestava gravata, uma pena também.

- E tem algo mais que goste em homens? Sem papinho de “gentil, educado…”, me diz algo sei lá… físico, que eu não saiba.

- Gosto de mãos.

- Mãos? Agora tudo faz sentido - ele riu baixo

- Pois é, sou como uma maníaca pelas mãos de quem eu gosto - ela sorriu sem jeito

- Melhor que ser maníaca por pés…

- Pés são nojentos

- Minha namorada gosta

- Credo, cara! Pés são… eca, que sem noção!

Os dois riram, tomaram um gole de suas bebidas e se olharam, sorrindo.

- Que bizarro. Ficamos dois anos sem nos falar e quando o destino nos une, falamos de… fetiches…?

- Ficamos dois anos sem falar por culpa da sua namoradinha e sua mesmo. Ninguém mandou ser criança

- Foi melhor pra mim 

- Foi mesmo, Saulo?

- Aham…

- Que idiota, cara… eu senti sua falta.

- Sentiu nada, você sempre dá um jeito e foi você quem terminou.

- E daí? Eu senti sua falta, você cortou tudo de uma vez depois que conheceu essa vadia nojenta

- Opa, não ofende minha namorada

- Quer saber? Vocês se merecem, dois imbecis que se acham os donos da verdade, super adultos

- Cala a boca!

- Sabe o que mais? Foi péssimo te ver, vai lá com a maria macho ser feliz e some de novo da minha vida

- Ei! Tá com ciúmes?

- Não interessa 

- Tá? Eu conheço você

- Você acha que conhece e achava que conhecia, agora tchau porque não vou suportar ver sua amadinha pessoalmente

- Sabia!

- Você não sabe de nada, cara. Agora tchau, passe bem

- Tchau…

E assim ele deu de ombros, voltou a tomar seu café e ela saiu direto para o estacionamento, frustrada, como sempre. Mal conseguiu terminar de beber o que pediu, só entrou no carro e foi pra casa, chorar… chorar por estar sozinha, não por ele. Ás vezes é difícil pra ela lembrar que já foi feliz com alguém e agora simplesmente não tem ninguém. “Melhores amigos” não são a mesma coisa, não mesmo.


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26.07.2012 às 01:00